Formas Intercomunicacionais em Pedro Nava: o Signo Verbal e o Pictórico

Autora: Ilma de Castro Barros e Salgado
Páginas: 236
Capa: Supremo plastificada
Acabamento: Cola
Papel apergaminhado 90 grs

Disponibilidade: Sem estoque

Por R$30,00
Detalhes

Apresentação da configuração de duas das atividades artísticas de Pedro Nava (1903-1984): o verbal e o pictórico

Desde a infância, os traços usados em seus desenhos deram o indicativo visual que possibilita ao leitor a realização de uma construção mental de espaço-imagem-tempo. Em decorrência da participação do autor no Movimento Modernista Brasileiro, e consequente envolvimento com formadores do mesmo, deparamo-nos com muitos de seus desenhos matizados pelos elementos dos movimentos de “vanguarda”, sobretudo o expressionismo, em que se observa a idealização de um mundo novo, representado pela construção de novas formas, como, por exemplo, a deformação, e por uma visão radiográfica da miséria humana.

As telas a óleo, também umas das primeiras manifestações artísticas de Nava, recebem do autor um tratamento vanguardista, principalmente no que tange à liberdade cromática que delineia uma liberdade da organização do espaço pictórico.

O encontro da página com a tela, através das ilustrações que Nava fez de alguns textos escritos por três de seus coetâneos – Austen Amaro, Mário de Andrade e Afonso Arinos – foi um dos aspectos da possibilidade de imbricação do verbal com o imagético. Nessa seção, vimos como Nava, partindo de técnicas do Expressionismo alemão, fez uso de traçados em negro em contraste com áreas claras, técnicas que, como anunciado anteriormente, conduzem a uma ideia de movimento. Também marcante nesta seção a forte característica do Movimento Modernista Brasileiro na busca da identificação e do uso das cores nacionais bem como no reconhecimento da mestiçagem brasileira. Ainda nas ilustrações, encontram-se características do surrealismo, através das manifestações do inconsciente em que real e imaginário se misturam.

Outra etapa da leitura dos procedimentos pictórico-verbais naveanos se encontra, mais exatamente, na elaboração da obra memorialística. Partindo das capas que compõem a primeira edição de cada volume da obra, depara-se com a imagem em sua estrutura elementar. São colagens que fogem à perspectiva linear, que inserem imagens sintéticas do conteúdo temático que o leitor encontrará quando da leitura dos volumes. Ao pesquisarmos o acervo do autor no AMLB, verificamos que o texto não nasceu pronto. Sua origem se deu a partir dos “bonecos”, termo, com antecipado, usado pelo autor para designar o material inicial, preparatório para a elaboração da escrita. Dentre o vasto material usado por Nava, destacam-se, principalmente, desenhos e diagramas, para os quais se encontrou, nos volumes das Memórias, a descrição verbal correspondente.