Visões do Cotidiano

Autora: Cecy Barbosa Campos
Páginas: 88
Editora Editar

Disponibilidade: Em estoque

Por R$25,00
Detalhes

“Em linguagem precisa e econômica, as Visões do Cotidiano, de Cecy Barbosa Campos, compõem um mosaico fragmentado e diverso. Sua erudição e referências literárias passeiam por obras tão ecléticas quanto as de Shakespeare, Camões, Emily Dickinson, Nathaniel Hawthorne, Marcel Proust, Vinícius de Morais e outros. Em “O Gato Preto”, Cecy dialoga com o conto homônimo do norte-americano Edgar Allan Poe. A autora desestabiliza o leitor ao apresentar uma situação aparentemente banal, mas cujo tom intimista, um relato em primeira pessoa, e a associação ao sinistro felino de escritor do século XIX acendem a fagulha da dúvida: realidade ou ficção calcada no mundo sombrio de Poe?

Sem enveredar nem pela compaixão nem pela indignação barulhenta, Cecy aborda a questão dos excluídos e das injustiças sociais na crônica “No ponto de ônibus”, em que o protagonista, Viktor Emanuel, embora sofrido, subverte qualquer associação vitimizadora para se tornar, sobretudo, um exemplo de superação, o que transparece na frase: “OK de seu nome, registrado para lhe trazer bons augúrios, desapareceu, mas a força de grande homem permanece e faz dele um exemplo.”.

A disjunção temporal atravessa muitos dos textos da autora, em “A Turbulenta vida de Estácio”, Cecy promove, com muito humor, a dissolução de fronteiras espaciais e faz do fundador da cidade do Rio de Janeiro no século XVI, um grande fã de Cauby Peixoto. A articulação entre tempo e escrita é evidente também nas narrativas iniciadas por reticências, é o caso de “Desesperança” e de “Desmemórias”. O original recurso estilístico empregado pela escritora lança o leitor, de imediato, no monólogo interior das personagens, enfatizando também a falta de linearidade no fluxo da consciência.

Mestre na arte de investigar as palavras, deixando-as se pronunciar em toda a sua potência, Cecy Barbosa Campos revela em Visões do Cotidiano o pleno domínio da atividade narrativa. Duvido que alguém resista a esta deliciosa leitura!”

Laura Barbosa Campos - Doutora em Letras